sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Shrimps From Outer Space.

Peter Jackson é um cara que já foi de um extremo ao outro dentro do cinema, do trash B de Braindead ao épico, cultuado e ícone da cultura nerd Lord of the Rings. O diretor retorna à telona produzindo filme de ficção científica District 9, dirigido pelo novato Neill Blomkamp, que estreou nesta sexta-feira.
Distrito 9 atraiu começou a chamar atenção do público na San Diego Comic Con deste ano. A expectativa do filme era tão grande que ao final da sua primeira semana em cartaz nos cinemas do Tio Sam, o relativamente pequeno investimento de 30 milhões para a obra já havia sido quitado.
O filme utiliza-se da linguagem documental e se passa em Joanesburgo, África do Sul, onde há vinte anos atrás, uma nave alienígena surgiu e ficou misteriosamente estacionada por lá, e assim ficou durante 20 anos. O filme inicia-se quando, por pressão popular, a comunidade internacional é obrigada a remover os aliens do Distrito 9, favela onde os 'camarões' (como são chamados os aliens) são confinados - fazendo referência ao apartheid sul-africano. Wikus van der Merwe (Sharlto Copley), funcionário da gigante Multinational United, fica responsável por coordenar este despejo. A função do funcionário de nome holandês é fazer com que os aliens assinem a ordem de despejo de seus barracos no distrito 9. Para cumprir esta missão vale tudo, desde suborno com comida de gato até ameaças e agressões. E é cumprindo por este dever infeliz que Wikus é contaminado por um líquido alienígena (que poderia muito bem ter saído de algum episódio de Arquivo X) que faz com que ele comece a sofrer mutações em seu DNA, iniciando uma transformação naquilo que mais odeio: os detestáveis camarões! A partir daí, começa a corrida desesperado de Wikus, contra os seus ex-patrões - que vem nele uma exorbitante fortuna em biotecnologia - e contra os traficantes de armas de Joanesburgo - que querem a habilidade de Wikus em utilizar o armamento alien e, principalmente, contra o tempo, tentando encontrar uma forma de recuperar a sua antiga vida antes que a mutação torne-se permanente.
A obra abusa propositalmente dos clichês de ficção científica: uma nave não muito diferente da que se vê em Independence Day, mutações do tipo MIB, Incrível Hulk ou o simbionte do Homem-Aranha (o uniforme negro, para quem teve a audácia de não entender) e armas de algum jogo de tiro em terceira pessoa, em especial Halo e Half-Life II. O roteiro, porém, foge da obviedade, principalmente por sua alusão ao apartheid sul-africano e por focar-se encima do desespero de um homem que vai de um almofadinha típico da classe média a um homem movido pelo desespero ao ver tudo o que ele construiu desmoronar e tudo em que ele confiava trair-lo.
Distrito 9 é um filme sem grandes pretensoes, ainda mais por tratar-se da estreia do diretor. A grande inovacao do filme é trazer novamente o carater de critica social `a ficcao cientifica, o que mostra um roteiro capaz de ir alem das explosoes e batalhas. Ponto pra voce, Bloomkamp!

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