domingo, 11 de outubro de 2009

Nazi Star!

Você realmente deve estar morando em algum lugar no meio do nada caso não tenha ouvido falar do novo filme do Tarantino, Bastardos Inglórios. O filme ganhou destaque em quase toda a mídia especializada, muito em razão do tema delicado do qual trata: II Grande Guerra.
Eu, confesso, estava entusiamado com este filme desde o ano passado, quando descobri os principais nomes do casting. Enquanto a maioria pensava em Quentin Tarantino dirigindo um filme com Brad Pitt e Daniel Brühl, eu pensava no diretor do Cães de Aluguel dirigindo um filme com o protagonista do Clube da Luta e o protagonista do Edukators! Tinha como um filme destes ser ruim?!
O roteiro prometia: Bastardos Inglórios é composto por duas tramas paralelas que se encontram no quarto final do filme. Uma das tramas contava a história dos Bastardos - nome com o qual ficou conhecida a unidade composta por soldados americanos judeus e liderada por Aldo Raine (Brad Pitt) - e o terror que esta unidade causava entre os nazistas. A outra trama conta a história de Shoshanna Dreyfus (Mélanie Laurent), uma franco-judia que administra um cinema e ve-se obrigada a realizar a prémiere do filme "Orgulho da Nação". A sessão acaba por mostrar-se a oportunidade perfeita para a personagem realizar sua vingança contra o III Reich.
O filme, fugindo completamente das minhas espectativas, segue menos a linha exploitation, explorando mais os momentos de tensão (destaque para a cena do bar), como em Cães de Aluguel, e menos os jorros de sangue, como em Kill Bill. Vale deixar avisado que a obra abusa da licença poética e não tem a menor preocupação com a verossimilhança histórica.
A grande surpresa do filme fica por conta dos que comeram pelas beiradas: enquanto os holofortes estavam todos voltados para Brad Pitt e Daniel Brühl, eis que surgue o austríaco Christoph Waltz no papel do coronel da SS Hans Landa, antagonista da trama, roubando todas as atenções durante o desenrolar da história. Não foi sem merecer que o ator de 52 anos entrou no festival de Cannes como um semi-anônimo e saiu com o prêmio de Melhor Ator do Festival e dentro do bolão para o Oscar de 2010. A atuação de Waltz com certeza valeu o esforço despendido por Tarantino para encontrar seu ator poliglota perfeito (Waltz fala inglês, alemão, francês e italiano).
Quentin Tarantino criou, para este filme, alguns de seus mais pitorescos personagens: o gênio sádico e poliglota Hans Landa entrou para uma galeria de personagens geniais de Tarantino, e leva consigo o tenente Aldo, o Apache e seu sotaque caipira do Teenesee.
Tarantino, sem medo de reescrever a historia pelo bem de seu roteiro, nao cria apenas uma nova Historia, mas uma obra-prima que se mostra muito mais divertida que os fatos. Em entrevista, o diretor disse que amava seus personagens como um deus que ama sua criação. Pois bem, Quentin Tarantino fez Bastardos Inglórios e viu que era bom!

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