"Antes a frase ia além do conteúdo;Agora é o conteúdo que vai além da frase".
(Karl Marx - O 18 de Brumário de Luís Bonaparte)
Na cultura não foi diferente, não faltam exemplos de artistas que foram influenciados pelo socialismo científico marxiano, despertando os mais variados sentimentos no público e na crítica, desde amores aos completo desprezo. Dentro da música, foram várias as tentativas de dar um discurso de classe às melodias, algumas bem sucedidas, outras... ehhh... nem tanto. Mas fica aqui o registro de algumas tentativas felizes de levar o velho barbudo, e todo mundo que se dizia discípulo do velho barbudo, à pista de dança.

A banda é sueca, hype e todo mundo já conhece, fato! Mas nem por isso o merecimento de estar nesta lista diminui. O (I)nc é uma banda que surgiu após o fim da também sueca, também hype e também batida Refused. Os integrantes dizem que seu som é uma mistura de Elvis e Che Guevara, mas isso é frescura! Na verdade, a música do (I)nc é uma mistura de indie, garage rock, punk. A salada russa sonora casa perfeitamente com a salada russa ideológica, que junta nomes como o anarco-sindicalista espanhol Buenaventura Durruti, a anaco-feminista Emma Goldman e o situacionista (leia-se 'marxista fanfarrão') Guy Debord no mesmo balaio de gato. A banda lançou cinco discos desde 1999, mas se você não tiver saco para baixar todos eles, eu recomendo o "Armed Love", de 2004, e o "A New Morning, Changing Weather", de 2005.
The Dils.
San Francisco quase sempre é feliz quando o assunto é punk rock. Se não existisse Los Angeles, Washington, New York e, principalmente, PORTLAND, San Francisco seria a cidade mais punk dos EUA. Mas o quinto lugar aqui não é nem um pouco vergonhoso, nem um pouco mesmo. The Dils é o nome do fenômeno adolescente da vez. Criada em 76 pelos irmãos Chip e Tony Kinman, o Dils trocava de bateirista que nem o Luís Carlos Prestes trocava de partido (sacou a humor político sagaz? Hãn? Hãn? Hãn?). Quanto ao som, consistia em um punk com pegada mais pop (pra mim, tem algumas horas que soa um pouco folk), bem característico do som de San Francisco daquela época. Porém, o Dils tinha lá suas diferenças com o resto da cena 'sanfranciscana': enquanto o Avengers (também de San Francisco) tirava cover de "Money (That's What I Want)", dos Beatles, o Dils gravava músicas com nomes do tipo "Class War", "Red Rockers" ou "I Hate the Rich".A discografia não é grande, contando com apenas dois LP's de estúdio ('Dils Dils Dils' e 'Class War') e mais uns poucos EP's e singles.
Obs: Eles aparecem no filme 'Up in Smoke', dos comediantes Cheech & Chong, tocando a música You're Not Blank.
The Dicks.
Imagin
e que você é um cara gordo, com um cabelo esquisito no meio do Texas. Pra terminar de foder com tudo, você é GAY! Parabéns, seu nome é Gary Floyd e você é o vocalista do Dicks, uma banda punk gay que introduziu (Dicks. Introduziu. Sacou o humor sagaz mais uma vez? Hãn? Hãn? Hãn?) o hardcore no Texas. A banda fez seus primeiros shows no Raul's Bar (que criativo!), um estabelecimento frequentado pela "nata" da sociedade de Austin (entenda isso como todo tipo de artista sem talento, malucos e rockeiros). E mesmo uma platéia destas, que aparentemente não se surpreende com mais nada nesta vida, ficava chocada com os shows do Dicks, especialmente quando o líder da banda começava a falar sobre sua vida sexual... em detalhes!Apesar de Gary Floyd nunca ter se assumido enquanto socialista, suas letras possuíam um forte caráter marxista (porra, a logo da banda tinha uma foice e um martelo!), tratando principalmente de repressão policial e homofobia (além da clássica foto de Floyd vestido de traveco com a bandeira soviética atrás! Clássico!). Pra colocar a cereja no bolo do materialismo histórico-dialético, o Dicks foi uma das bandas que enveredou-se na lendária turnê "Rock Against Reagan", além de seu líder ter sido um consciente opositor do conflito armado no Vietnã.
The Dicks é outra banda com uma discografia pequena, composta por seu clássico EP "Hate de Police" e dois LP's, sendo um deles de estúdio - Kill From the Heart - e ou outro uma coletânea, chamado apenas 1980-1986, além do seu clássico split com os também texanos do Big Boys.
Hoje, Gary Floyd é ativista gay, artista plástico e não fala mais em público sobre suas fodas.

















