sábado, 17 de outubro de 2009

Arte em Movimento.

Uns dois anos atrás, eu estava assistindo os X-Games e o Bob Burniquist estava comentando a final do vertical. Não lembro porque, ele não havia competido naquele ano. Estava rolando aquelas mensagens dos telespectadores (naquele tempo, não existia twitter) e um deles tinha comparado os skatistas a artistas. O Burniquist então disse:

- Skate é arte em movimento!

Acho que é bem essa a idéia do RE:BOARD - Brasil Skate Art and Deck Research, documentário lançado em julho desse ano. Fruto de uma profunda pesquisa do artista Alexandre "Sesper" Cruz (que também é vocalista do Garage Fuzz), a obra deu origem não apenas ao documentário, mas também a uma exposição com mais de duzentos shapes de três décadas diferentes - 80, 90 e 2000.

O documentário começa logo com a frase:

"Feito de forma independente. Sem nenhum apoio de leis de incentivo à cultura ou dinheiro da iniciativa privada."

Logo aí, bem no começo do filme, você acaba por entender o modo como o skate desenvolveu-se no país. O filme traz depoimentos tantos de artistas quanto de skatistas e colecionadores de skate, que trazem suas visões e lembranças sobre o skate brasileiro e o desafio que era para zineiros, skatistas e artistas consolidarem o esporte no Brasil, nadando contra a maré dentro de um oceano de preconceitos que existia contra o carrinho. E mostra como a estética do skate nacional conquistou cara própria, diferenciando-se daquilo que era feito na gringa e as vezes competindo em pé de igualdade com os decks estrangeiros, - mesmo com quase tudo jogando contra - tudo isso a partir da ótica de quem fez a coisa acontecer, fosse um dos talentosos artista que criavam os desenhos subversivos dos decks ou um dos skatistas que levavam estes shapes para a ação.
Outro destaque do filme é a trilha sonora, toda composta por artistas brasileiros independentes em canções instrumentais. Algumas já consagradas dentro da música instrumental, como a paulistana Eu Serei a Hiena (indicada ao VMB 2009 como melhor banda instrumental), e algumas inesperadas para a música instrumental, como o crossover do Lobotomia e o Presto?. Também particpam da trilha sonora as bandas Garage Fuzz, Apolônio, Baobá Stereo Club, Bodes e Elefantes, Elma, Gigante Animal, Guisado, M. Takara, Mamma Cadela, Notwork, Twipine(s) e Vallejo x Sunset.
RE:BOARD - Brasil Skate Art and Deck Research tem como objetivo não apenas fazer um simples resgate histórico, resultando em um simples amontoado de nomes, datas e números, mas busca também rememorar toda a paixão e o espírito de rebeldia que permeavam o skate nacional, assim como mostrar às novas gerações que seguem em cima do carrinho que esse espírito não se perde neste novo milênio, graças a 'artesportistas' que, enfrentando os novos desafios que surguem para o esporte no Brasil neste novo milênio, não deixam a paixão inerente ao skate brasileiro desaparecer.

Para assistir ao filme, clique aqui.


Um comentário:

Camarada R disse...

Gino é o cara! É um demônio do R&B. E é muito melhor que o Geno. Quando a gente escuta o Gino fica pensando como ainda tem gente que acha que foram os brancos que criaram esse tal de rock and roll! Os negros sempre foram a vanguarda da música pop. Ai quando um branco começa a fazer a mesma coisa que um negro já fazia há dez anos atrás, apenas mudam de nome por razões de nicho de mercado.
Viva o Death, Viva o Gino!